
Editorialmente a Folha continua moderna, dando, por exemplo, enorme espaço aos colunistas, escolhidos pela pluralidade de pensamento.
Claro que devemos questionar a escolha de Sarney e Palocci como colunistas, porém pluralidade é isso...também.
A acertividade para no entanto no projeto gráfico adotado, ou melhor, na materialização desse projeto editorial em algo palpável, ou seja, identidade visual como tradução de um conceito.
É sabido que a circulação dos jornais, todos, caiu vertiginosamente. É compreensível portanto que as publicações queiram aumentar sua "base de clientes" e um caminho mais ou menos óbvio seria o alinhamento com a linguagem da internet ( para onde fugiram os leitores).
Até aí OK. O que acho que foi esquecido, ou melhor, pouco valorizado foi o posicionamento contemporâneo e até de vanguarda, tão comunicado pelo jornal.
Muito se falou sobre a legibilidade, com maior peso nas letras, mais espaçamento e portanto informação mais concisa. Uma amostra da capacidade de poder de síntese do jornal está na excelente Folha Corrida, a última página do cotidiano, onde as principais notícias são expostas como manchetes para o texto completo no interior do jornal.
Ao meu ver a nova "cara" da folha populariza sua estética sem o requinte de modernidade que o jornal oferece editorialmente. Um leitor de outro estado, sem grande convivência com a publicação, ao abrir o jornal no domingo, poderia pensar que se tratava de um jornal mais popular,de leitura simples, superficial, com títulos chamativos em letras bold abaixo de seções com cores contrastantes.
Esse é um bom exemplo onde o posicionamento e a identidade de uma marca foram substituídos por um "drive" comercial, que materializa o conceito no projeto editorial e no alinhamento inteligente e inevitável com o meio digital mas não alcança o mesmo resultado com o projeto gráfico.
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